Interior

Nem mesmo o sol tem o brilho em seus raios que antes tinha.
As estrelas não almejam preencher o céu, e as músicas não soam, aos meus ouvidos, como no passado.
Os pássaros não cantam suas canções e as flores já não colorem as pastagens do horizonte!
O perfume, as fotos, as lembranças, teus passos a beira-mar...
Rastros, poucos rastros, fleches no pensamento, reprises de um sonho, sinopses de uma história que se perdeu na imensidão dos céus, na longitude das estradas...
Tua face, o perfume em teus cabelos, as cicatrizes em teu corpo, cada traço, cada pequeno pedaço...
Tão distantes do meu!
Teus lábios, tuas curvas, tão distantes, inatingíveis!
A pressa com que os dias passam, as horas que galopam sem notarmos, o pulsar cada vez mais ofuscado do coração...
Vez por outra pego-me com lágrimas nos olhos, lembrando momentos que juntos* tivemos.
Sem notar meus pensamentos são tomados de lembranças cada vez mais invisíveis, mas que jamais serão esquecidas.
Veja minha flor, a imensidão desse luar, nunca havia visto algo tão significante.  É como se meu coração estivesse partido em milhões de pedaços brilhantes.
Ao despertar, quando ao longe avisto aquela ave solitária, voando em perfeita sincronia de corpo e asas, encho meu coração de esperanças e te espero na janela sem saber por onde andas.
Se ao menos tivesse a certeza que te teria em meus braços novamente, nem mesmo o ar teria tamanha importância.
Quando vejo teu semblante radiante diante de meus olhos, perco o controle de minha alma e meu coração acelera seus batimentos, fazendo com que minha face se transborde, pouco a pouco, sem notar!
Se pudesse te ter novamente em meus braços, mostraria-te um mundo com meus olhos, te levaria ao meu céu, te disponibilizando cada sentimento, cada pulsar, cada toque, cada gesto, cada piscadela, cada suspiro, cada olhar, cada momento, cada receito...
...
(katherine Hernandorena)