terça-feira, 7 de junho de 2011

          Florão de donzela

Um dia botão e hoje flor
Um dia mesclada, e hoje vermelha
Por vezes molhada, e hoje seca
Um dia radiante, e outro rastejante
Um dia réptil, e outro borboleta
Pedaços soltos, e outro bem unidos
Sustentados por uma base sólida
E  tranquilizadora...
Um dia bonecas, outro bonecos
Por vezes maquiagem, por outras pele crua
Por encontros, lágrimas... por desencontros também
Sonhos bons, e outros nem tanto
Fantasias de fadas, e outras de vida
Por dias vaidade, por outros necessidade
Futilidades precoces, preocupações maduras
Duas metades da maçã
Duas cores da rosa
Duas fases distintas
Formando a menina, mulher
Metamorfoseando os detalhes fundamentais
Os pequenos e banais detalhes
E nas cores, e na vestes
Vai se transpondo a menina,
Aquela garotinha
Que hoje posso dizer que é mulher
Que muito quer
Que hoje labuta, que hoje busca
Que hoje sente, deprime-se
Por ser muito mais que uma menina
E muito menos que uma mulher.
Veja ela desabrochar!
Sinta o seu perfume,
E aprecie a magnitude de suas pétalas
Chegue mais perto...
Observe suas cores
Veja a vastidão de borboletas
Que a rodeiam
Note-a diante de si
Perante a janela, naquela poltrona velha
Cuide-a, ame-a!
Fique à vontade...
Pois ela é só, por mais que bela, é só
Aprenda a vê-la desabrochar
E, por favor, não se engane de sua existência
Pois esta é letal...
Tenha paciência
Porque somente vendo sua metamorfose interminável
Aprenderás a ver o mundo!
                                                                                                                                Andotinha

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